O que são galerias ripícolas?
As galerias ripícolas (do latim “ripa” que significa “margem” [1]) são sistemas compostos por árvores, arbustos e herbáceas localizadas ao longo das margens dos cursos de água, formando corredores de vegetação densa. Esta vegetação está adaptada a ambientes húmidos e à sazonalidade do caudal, do qual resulta um microclima fresco e cheio de vida [2,3, 4].
O microclima característico das galerias ripícolas resulta do nível de humidade mais elevado na atmosfera, que leva a uma maior evapotranspiração e consequentemente à diminuição das temperaturas máximas. Nas regiões de clima mediterrâneo, como na margem esquerda do Guadiana, o contraste entre este tipo de ambiente e as zonas adjacentes é mais visível, permitindo formas de vida muito próprias destes locais, que exercem influência, mesmo sobre áreas que se encontram mais afastadas da linha de água [4]. Neste contexto, as galerias ripícolas têm sido chamadas de “oásis lineares” devido às suas características e recursos únicos, que as distinguem claramente das áreas envolventes [5].
Estes sistemas são considerados zonas de transição, havendo uma interação direta entre os ecossistemas aquático e terrestre, e estendem-se desde a margem do meio aquático até à orla dos sistemas que já não são influenciados pelo curso de água [5].
De forma geral, as espécies arbóreas instalam-se em zonas com solos mais estáveis e as plantas lenhosas, de menor porte, predominam em áreas com menor estabilidade ou sujeitas à erosão. Já as herbáceas dominam em zonas onde há acumulação de sedimentos. Em linhas de água com grandes variações de caudal, os arbustos e as herbáceas aparecem de forma dispersa nas margens. No entanto, quando existem açudes que estabilizam o nível da água, é comum encontrarem-se árvores de maior porte [6].

Figura 1- Vista tridimensional de um ecossistema ripícola [5].

Figura 2- Zonamento da vegetação, em função do nível de água e do período submersão [6].
Onde podemos encontrar galerias ripícolas?
Em Portugal, assim como nos territórios da margem esquerda do rio Guadiana, estas galerias são comuns ao longo de muitos cursos de água (rios, ribeiras, barrancos), especialmente em zonas onde ainda existem habitats bem conservados.

Figura 3- : Segmento da galeria ripícola da Ribeira do Enxoé, Serpa.

Figura 4 - Segmento da galeria ripícola da Ribeira do Chança, Vila Verde de Ficalho.
Breve perspetiva histórica
A história evolutiva dos seres humanos, desde os seus primórdios, esteve ligada às zonas ripícolas, centrando muitas das suas atividades junto aos rios [7].
No entanto, ao longo dos séculos, a perceção humana sobre estas áreas ribeirinhas, nomeadamente as zonas com galerias ripícolas, mudou bastante. Inicialmente estas zonas eram temidas por apresentarem uma densa vegetação e, por serem zonas húmidas, eram vistos como locais prejudiciais à saúde. Com o passar do tempo, passaram a ser exploradas para agricultura, pastagens e transporte fluvial. No século XIX, estes sistemas passaram a ser desvalorizados com a construção de barragens e diques e só recentemente passaram a ser valorizadas pela sua importância ecológica e consideradas áreas a conservar ou restaurar [8, 9].
Importância das galerias ripícolas
As galerias ripícolas, ao estarem associadas aos sistemas fluviais são locais essenciais ao funcionamento das bacias hidrográficas, e por esse motivo estão, em maior ou menor escala, sobre a influência constante de um regime de alterações e processos hidro-geomorfológicos extremos [5]. Devido às variações sazonais ao nível do caudal, aos processos geomorfológicos do leito, às variações climáticas e à influência dos terrenos adjacentes à linha de água, promovem uma grande heterogeneidade de habitats que albergam uma elevada diversidade de organismos adaptados às perturbações existentes [3, 8, 9, 10]. Assim, as galerias ripícolas abrigam algumas das comunidades biológicas mais dinâmicos e heterogéneos que existem na natureza [2, 11], servindo como base para compreender a organização, diversidade e dinâmica das comunidades associadas aos ecossistemas fluviais [3].
Vários estudos já demonstraram, inclusive, que estes sistemas apresentam uma produtividade e diversidade de seres vivos superior à dos ecossistemas envolventes [3, 12], sendo o seu contributo desproporcionalmente elevado, em particular em regiões com clima mediterrânico, como o clima semiárido característico da margem esquerda do Guadiana, por exemplo, pois ocupam uma proporção reduzida da paisagem [13].

Figura 5- Comparação entre a biodiversidade de um vale com um corredor ripícola funcional e um território agrícola artificializado com uma linha de água canalizada e retificada [14].
Para além da estrutura das galerias ripícolas desempenhar um papel fundamental na integridade ecológica dos ecossistemas ripícolas, proporcionam, também, diversos serviços de ecossistema:
- Evitam a erosão e controlam o caudal da linha de água - contribuindo para a fixação das margens e controlo do caudal. No conjunto, as comunidades vegetais das ribeiras e dos rios, retardam a velocidade da água nas enchentes, protegendo da erosão os terrenos adjacentes, conferindo-lhes maior estabilidade [4, 15];
- Permitem a retenção e infiltração de água no solo - contribuindo para o aumento do nível dos lençóis freáticos [16];
- Filtram a água - funcionando como um filtro biológico, travando a poluição e o excesso de nutrientes provenientes das zonas agrícolas adjacentes [17];
- Regulam a temperatura da água e a evaporação - as árvores fazem sombra e ajudam a manter a água mais fresca, criando um microclima com temperaturas mais baixas e níveis de humidade mais elevados [16];
- Atuam como fonte de bio-acumulação - participando na transformação de nutrientes e matéria orgânica, influenciando a composição florística e faunística do local [5, 18];
- Suportam diversos ciclos biogeoquímicos - ciclo da água e ciclos de nutrientes [3];
- São importantes corredores ecológicos - suportando uma elevada biodiversidade, já que providenciam, tanto alimento, como refúgio e condições para a reprodução de muitas espécies animais, sendo reconhecidas como áreas prioritárias para a conservação de espécies terrestres [19], especialmente em zonas mais áridas (uma vez que muitas espécies as utilizam como complemento) [20];
- Oferecem outros valores paisagísticos, recreativos, patrimoniais e culturais [16].

Figura 6- As diferentes funções da vegetação ripícola e respetivas dimensões mínimas para o desempenho das mesmas [6].
Valor económico das galerias ripícolas
As galerias ripícolas oferecem diversos benefícios ambientais bem documentados, como a melhoria da qualidade da água, dos habitats aquáticos e a regulação dos caudais [15, 21, 22]. No entanto, a avaliação do seu valor económico é complexa, pois envolve decisões políticas e sociais sobre a remuneração de serviços ambientais fora dos mercados tradicionais. Esse valor depende de fatores como a vegetação presente, a largura da galeria e o uso do solo nas áreas vizinhas. Além disso, muitos benefícios só se tornam visíveis após longos períodos, dificultando a perceção imediata da sua importância [23, 24].
Galerias ripícolas bem estruturadas podem também beneficiar atividades económicas como o lazer e o turismo — pesca desportiva, piqueniques, praias fluviais ou trilhos — desde que desenvolvidas de forma sustentável. Além disso, estas zonas atraem muitas espécies de vertebrados, incluindo espécies cinegéticas, favorecendo áreas de caça próximas ao proporcionarem maior diversidade e abundância de fauna [5].
Biodiversidade
Que espécies podemos encontrar nas galerias ripícolas?
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Plantas
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Árvores
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Choupo-branco (Populus alba)
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Salgueiro (Salix atrocinerea)
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Freixo-de-folhas-estreitas (Fraxinus angustifolia)
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Medronheiro (Arbutus unedo)
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Zambujeiro (Olea europaea )
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Arbustos
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Aderno-de-folhas-estreitas (Phillyrea angustifolia)
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Aroeira (Schinus terebinthifolia)
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Folhado (Viburnum tinus)
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Giesta (Cytisus scoparius)
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Giesta (Cytisus striatus)
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Junco (Juncus capitatus)
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Murta (Myrtus communis)
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Pilriteiro (Crataegus monogyna)
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Piorno (Retama sphaerocarpa)
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Roseira-brava (Rosa canina)
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Tamargueira (Tamarix africana)
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Tamujo (Flueggea tinctoria)
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Trovisco (Daphne gnidium)
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Videira-brava (Vitis vinifera sylvestris )
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Animais
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Anfíbios
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Sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasii)
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Sapinhos-de-verrugas-verdes (Pelodytes spp)
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Rã-de-focinho-pontiagudo (Discoglossus galganoi)
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Rã-verde (Pelophylax perezi)
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Rela-meridional (Hyla meridionalis)
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Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra)
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Tritão-de-ventre-laranja (Triturus boscai)
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Tritão-marmorado (Triturus marmoratus)
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Tritão-marmorado-pigmeu (Triturus marmoratus pygmaeus)
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Aves
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Chapim-real (Parus major)
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Chapim-azul (Parus caeruleus)
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Pombo-torcaz (Columba palumbus)
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Trepadeira-comum (Certhia brachydactyla)
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Pica-pau-malhado-grande (Dendrocopos major)
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Rouxinol-bravo (Cettia cetti)
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Toutinegra-de-barrete (Sylvia atricapilla)
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Rouxinol (Luscinia megarhynchos)
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Verdilhão (Carduelis chloris)
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Felosa-poliglota (Hippolais polyglotta)
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Chamariz (Serinus serinus)
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Papa-figos (Oriolus oriolus)
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Répteis semi-aquáticos
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Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis)
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Cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa)
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Licranço (Anguis fragilis)
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Cobra-de-água-de-colar (Natrix natrix)
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Cobra-de-água-viperina (Natrix maura)
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Mamíferos semi-aquáticos
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Lontra (Lutra lutra)
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Ameaças
Os ambientes ripícolas estão entre os meios naturais mais ameaçados, na Europa. Mais de 90% das grandes planícies aluviais foram modificadas ou cultivadas, estando “funcionalmente extintas”, sendo que em muitos casos, a vegetação ripícola foi tão alterada que já é difícil imaginar o seu estado original [5].
Por atuarem como zonas de transição e regulação entre os ambientes aquáticos e terrestres, as galerias ripícolas são reconhecidas como bioindicadores sendo dos primeiros elementos a revelar sinais de alterações no ambiente [25, 26]. Deste modo, a natureza dinâmica destes sistemas torna-as especialmente vulneráveis aos impactos das atividades humanas [26, 27], mais ainda quando existem “importantes vestígios reliquiais de vegetação ripícola fora das áreas protegidas oficialmente” [5].
Na bacia do Mediterrânio, nomeadamente no Sul de Portugal, por exemplo, como consequência do uso milenar do território, as galerias ripícolas estão expostas a várias ameaças, nomeadamente o aumento da agricultura intensiva, o crescimento urbano e a proliferação de plantas exóticas invasoras, sendo cada vez mais frequente observar galerias destruídas ou profundamente alteradas [28, 29]. Relativamente às espécies exóticas, estes sistemas são particularmente vulneráveis no sentido em que funcionam como corredores de dispersão, permitindo a entrada e o estabelecimento das mesmas [5]. Na margem esquerda do Guadiana, a principal invasora é a cana (Arundo donax).
Estas ameaças têm afetado severamente a estrutura do ecossistema, levando à perda de habitat, degradação e homogeneização, comprometendo a capacidade de os ecossistemas executarem as suas funções ecológicas [29].
Outro fator de degradação que constitui uma das principais ameaças é o pastoreio descontrolado e o abate de árvores de forma indiscriminada para fins produtivos. Em relação ao pastoreio, muitas vezes os animais acedem à água através de troços na margem que seguem a linha de maior declive favorecendo a erosão do talude marginal e o aumento gradual da zona degradada. Em certos casos, para facilitar o acesso à água, e com o objetivo de comercializar a madeira, ainda é feito o abate de árvores, podendo agravar, e acelerar ainda mais, o processo de degradação. Posteriormente, estas zonas degradas da margem podem facilmente passar a ser locais privilegiados para a extração de inertes – sobretudo areias para construção – colocando em risco até a estabilidade do leito, pelo que os locais onde se efetua devem ser criteriosamente escolhidos tendo presente esse risco [5].
Os efeitos das ameaças, anteriormente mencionadas, poderão ser agravados devido à ação das alterações climáticas, uma vez que os ecossistemas ripícolas estão já bastante degradados [15, 16, 30].
Na bacia mediterrânica, é esperado que as alterações climáticas provoquem um aumento das temperaturas, a redução e concentração da precipitação, secas mais prolongadas e intensas, bem como inundações, com consequências importantes nos ecossistemas ripícolas [31].
Quanto ao aumento de temperatura, por exemplo, espera-se que o aumento de 4 °C na temperatura da água altere os regimes térmicos em cerca de 680 km, afetando o crescimento, a reprodução e a distribuição das espécies, sendo que muitas serão forçadas a deslocarem-se para zonas mais a norte ou a altitudes mais elevadas [32, 33]. Para além disso, o aquecimento do solo e da água subterrânea aumenta a atividade microbiana, acelerando a decomposição da matéria orgânica e a disponibilização de nutrientes, o que altera o equilíbrio ecológico [34].
Estudos realizados na Península Ibérica têm demonstrado que as galerias ripícolas podem apresentam alguma resistência face às mudanças climáticas, uma vez que são zonas naturalmente sujeitas a elevada variabilidade ambiental e extremos hidrológicos, como cheias sazonais, secas prolongadas ou flutuações rápidas no nível da água. Esta instabilidade molda a estrutura e a dinâmica da vegetação e da fauna, favorecendo espécies adaptadas à mudança constante [31, 35].
No entanto, quando os extremos climáticos se tornam mais intensos e frequentes devido às mudanças climáticas, até mesmo estas zonas podem ser ultrapassadas na sua capacidade de adaptação [15, 36].
Medidas de proteção
A conservação eficaz exige regulamentação adequada que incentive os proprietários a colaborar. A gestão deve ser adaptada a cada bacia hidrográfica, considerando as características únicas de cada rio, e deve ser integrada, abrangendo desde troços locais até planos mais amplos. Em bacias hidrográficas muito humanizadas o maior desafio é equilibrar a conservação das interações terra-água com os usos múltiplos do solo. Embora as margens dos rios e as águas sejam, em muitos países, de domínio público, os proprietários vizinhos têm acesso privilegiado aos seus recursos, o que exige regulamentação clara e fiscalização eficaz [5].
Quando a gestão das galerias ripícolas inclui a produção de madeira, recomenda-se manter uma zona tampão junto ao curso de água onde não haja exploração comercial, exceto para intervenções técnicas necessárias, como cortes de higiene. Nas áreas menos sensíveis, o abate pode ser feito de forma seletiva e em pequenas manchas. Esta abordagem favorece o crescimento de vegetação com estrutura irregular, promovendo habitats mais diversos e ecologicamente ricos [37].
Na margem esquerda do Guadiana, um dos principais desafios é o pastoreio descontrolado que pode destruir a vegetação, compactar o solo e causar erosão nas margens. Nestes casos, para proteger as galerias, é recomendável limitar o acesso do gado com cercas que devem ser colocadas a pelo menos 20 metros da linha de água, para evitar danos durante períodos de cheia. Quando for necessário permitir o acesso do gado à linha de água, este deve ser feito em pontos específicos da cerca, projetados para minimizar impactos. Esses locais devem ter leitos e margens estáveis, preferencialmente com rochas ou pedras grandes, declive constante e não interferir com o fluxo da água nem com a vida aquática. As cercas nesses pontos devem ser resistentes a destroços e capazes de suportar cheias [38]. Outra sugestão é a colocação de bebedouros mais afastados do leito da linha de água, utilizando uma bomba para o transporte da água até aos locais desejados.
É fundamental sensibilizar a sociedade para a importância ambiental e económica das galerias ripícolas. Para além disso, é urgente transformar o conhecimento existente em ações concretas de gestão sustentável. A reabilitação e boa gestão destes sistemas é essencial para proteger a biodiversidade, garantir a sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos e preservar a sua integridade ecológica [5].
Curiosidades
Sabias que o maior bosque ripícola plantado em Portugal se encontra na margem esquerda do Guadiana? [39]
Em 2005, quando foi criada a Albufeira de Pedrógão, foram plantadas 65000 árvores de espécies autóctones: choupos, freixos e lódãos, criando uma faixa de vegetação com até 800 m de largura (400 m em cada margem).
Este bosque serve como filtro natural, protege as margens e fornece abrigo para a fauna — especialmente aves como pica-paus que nidificam nos choupos.
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